BARBUY, Heraldo

      Nasceu em São Paulo a 30 de julho de 1913. Pretendendo seguir carreira sacerdotal, tornou-se seminarista franciscano. Experimentando grande crise, abandonou a Ordem em 1937, aos 24 anos de idade e embora tenha acabado por superá-la, reencontrando-se com suas crenças religiosas, a circunstância muito influiu tanto em sua obra como no curso que seguiu na vida. Inicialmente trabalhou no jornal O Estado de S. Paulo, cuidando de assuntos relacionados à cobertura internacional, durante a conflagração e no pós-guerra. Nessa fase aproximou-se do existencialismo e do marxismo e também exerceu o magistério. Inscreveu-se no concurso para a cadeira de Filosofia na USP, em 1950, do qual acabaram excluídos os que não possuíam curso de Filosofia, medida judicial que beneficiava a Cruz Costa, tornado titular da cadeira. Melhor sucedido em outro concurso, ingressou no Corpo Docente da Faculdade de Ciências Econômicas, vendo-se obrigado a fazer doutorado nessa área e também concurso para Livre Docente, o que explica a presença em sua bibliografia de obras desse teor. Sem embargo, manteve ativa participação no movimento filosófico da capital paulista. É considerado como precursor da demonstração do caráter religioso do marxismo, tese que posteriormente torna-se-ia lugar comum. Alcançou grande nomeada como professor. Faleceu em São Paulo a 9 de janeiro de 1979, aos 65 anos de idade.

Bibliografia:

Beco da cachaça.  São Paulo : Emp. Ed. J. Fagundes, 1937.  267 p.

Zaratustra morreu.  São Paulo : Ed. e Publ. Brasil, 1938.  138 p.

Maria Antonieta, biografia e história.  São Paulo : Ed. e Publ. Brasil, 1939. 187 p.
Filosofia da forma e metafísica da arte.  São Paulo , 1939.

A vida espetacular de Mirabeau.  São Paulo : Ed. Cultura do Brasil, 1940.  269 p.

As origens da crise contemporânea.  São Paulo : Ed. Oceano, 1943.  293 p.

O problema do ser.  São Paulo : Martins, 1950.  99 p.  (Tese para o concurso da cadeira de Filosofia da USP).

Sumo bem e suma riqueza.  (Separata do Anuário da Fac. de  Fil. “Sedes Sapientiae”da PUC-SP, 1953).

Sobre a crise do senso comum.  [s. l.], 1956.

Cultura e processo técnico.  São Paulo , 1961.  145 p.

A eternidade e o tempo.  (Separata do Anuário da Fac. de Fil. “Sedes Sapientiae”da PUC-SP, 1961-62).

Marxismo e religão.  São Paulo : Dominus Editora, 1963.

_____.  2. ed.  São Paulo: Convívio, 1977.  103 p.

Lineamentos para uma sociologia economica.  São Paulo , 1965. 163 p.  (Tese de livre docência).
As implicações sociais do progresso.  São Paulo , 1967.  88 p.

O problema do ser e outros ensaios.  Prefácio Gilberto de Melo Kujawski.  São Paulo : Convívio, 1984.  291 p. (Biblioteca do pensamento brasileiro. Textos, 2).

Estudos sobre o autor:

BARBUY, Belkiss Silveira.  Heraldo Barbuy : uma apresentação.  Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, v. 35. n. 139, p. 292-300, jul./set. 1985.

BONFIM, Paulo.  Heraldo Barbuy.  Diário de São Paulo, São Paulo, 21 jan. 1979.

KUJAWSKI, Gilberto de Mello.  Heraldo Barbuy.  Jornal da Tarde, São Paulo, 19 jan. 1979.
       
_____.  Heraldo Barbuy e sua maestria cultural.  In : BARBUY, Heraldo.  O problema do ser e outros ensaios.  São Paulo : Convívio, 1984.  p. xi-xx. 

_____.  Heraldo Barbuy.  O Estado de S. Paulo, São Paulo, 19 jan. 1997.

MELO, Luis Correia.  Dicionário de autores paulistas.  São paulo, 1954.  p. 82.

MENEZES, Raimundo de.  Dicionário literário brasileiro.  São Paulo : Saraiva, 1969.  v. 1,  p. 174-175.

SANTOS, Jessy.  In Memoriam : Heraldo Barbuy (1914-1979).  Revista Brasileira de Filosofia, São Paulo, v. 29, n. 113, p. 3-6, jan./mar. 1979.

SOUSA, José Pedro Galvão de.  Heraldo Barbuy: o senso comum e o senso do mistério.  Revista Brasileira de Filosofia,  São Paulo, v. 29, n. 116, p. 375-396, out./dez. 1979.

VIEIRA, Dorival Teixeira.  Heraldo Barbuy filósofo social e educador.  Problemas brasileiros, São Paulo,  v. 16,  n. 172.  p. 25-33, fev. 1979.